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A triste sina das pessoas de intervalo
Reedição da minha teoria sobre essa recorrente realidade por Bruno Reis
Intervalos são formas de se propagar alguma coisa que certamente não vai durar - afinal, será quebrada pelo retorno da tal situação. O intervalo sempre tem início, meio e fim bem determinados, mesmo que dure uma eternidade. Os intervalos dos jogos de futebol, por exemplo, possuem em média 15 minutos, e não há possibilidade do intervalo nunca acabar. Ele é fatídico, nasceu beirando a morte, fadado ao fim. Baseado nesta forma de enxergar os períodos entre um acontecimento e outro, percebi que na nossa vida também lidamos com situações parecidas. No que diz respeito a relacionamentos entre duas pessoas, tirei uma teoria sobre a qual falarei agora: as pessoas de intervalo. Pegue a cena: um casal de namorados termina repentinamente o namoro. Ninguém entende muito bem, os dois explicam aos tropeções que o relacionamento estava estranho, que estavam cansados, precisavam de um tempo, e aquela balela toda. De olho na garota já há um bom tempo, um segundo rapaz vê a sua chance chegar. Aproxima-se da menina, fragilizada pelo fim do relacionamento, tenta seduzi-la e, bingo!, conquista a moça. Tudo o que ele sonhou em boa parte da vida estava acontecendo: ela era dele, e com certeza o rapaz vai dedicar todas as suas forças e horas para manter vivo esse sonho colorido. Aí, num belo e ensolarado dia, a menina dá, sem cerimônia, a notícia mais temida pelo rapaz: está voltando com o ex-namorado. Incrédulo, traído, solitário, abandonado, deixado de lado, renegado... adjetivos não faltam para o rapaz, completamente desolado com o ocorrido. Ela, que no fundo ainda era apaixonada pelo namorado, simplesmente viu de quem realmente gostava, e entregou-se novamente ao seu amado. Claro, em momento algum ela se preocupou com o que o segundo rapaz pensava, o que ele sentia ou quais eram seus interesses em relação a ela. Até pediu desculpas pela mudança repentina, mas o que ela queria mesmo era fugir correndo para os braços do seu grande amor. Pronto. Assim, de um minuto para o outro, está criada uma pessoa de intervalo. É aquele que só serviu para apaziguar os momentos de solidão e carência da menina, oriundos do fim de namoro. Aquele que criou um ambiente propício para que ela descobrisse que ele é muito bacana, mas que ama mesmo o namoradão. E ele, o desolado rapaz? Bem... esse se deu mal. Achou que tivesse tirado a sorte grande. Fez planos, fantasiou os anos seguintes ao lado dela, deixou os amigos de lado para mergulhar na avassaladora paixão, fez questão de alardear seus sentimentos para Deus e o mundo... até apresentou a moça pra família, vejam vocês! Mas seu destino já estava traçado. Ele nasceu, cresceu e morreu no relacionamento como uma pessoa de intervalo. Uma pessoa que foi ótima para dar o apoio necessário quando ela precisou, mas que também foi dispensado com a mesma facilidade que proporcionou a ela perceber o que realmente queria. Tentando transparecer como uma pessoa interessante, ele criou a oportunidade dela notar como seria tê-lo como namorado, mas, infelizmente, a moça preferiu voltar com o antigo. Ele sabe que tinha tudo para dar certo. Sabe o quanto poderia ter feito a garota feliz. Sabe como ele poderia ter sido feliz ao lado dela. Quanto a isso, não há discussão. Mas o papel dele era meramente suprir uma necessidade para, em seguida, ser sumariamente descartado. Ele foi usado, e agora é nada mais, nada menos, e para sempre, uma triste pessoa de intervalo. *Bruno Reis é publicitário por formação, escritor por paixão e teimoso por falta de opção. Já foi uma pessoa de intervalo. E você?
nathaly - 27/01/2010 ~ 18:39
Carol - 27/01/2010 ~ 21:47
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